Eventos pré-guerra
A Primeira Guerra Mundial - "feita para pôr fim a todas as guerras" - foi o ponto de partida de novos e irreconciliáveis conflitos, pois o Tratado de Versalhes disseminou entre os alemães um forte sentimento nacionalista, que culminou no totalitarismo nazi-fascista. As contradições se aguçaram com os efeitos da Grande Depressão, e nesse cenário surgiram e se consolidaram vários regimes totalitários na Europa. O germânico de origem austríaca Adolf Hitler - líder do Partido Nazista, que se tornara o Führer do Terceiro Reich - defendia que a Alemanha necessitava mais espaço vital, ou Lebensraum,
e pretendia conquistá-lo na Europa Oriental. Esta política, ao lado da
contraposição ideológica, o levaria cedo ou tarde a um confronto de
grandes proporções com a URSS.
Valendo-se da Política de apaziguamento praticada pela Grã-Bretanha do primeiro-ministro Neville Chamberlain e secundada pela França do presidente Édouard Daladier, Hitler conseguiu, inicialmente, concretizar uma série espantosa de conquistas incruentas: remilitarizou a Renânia, anexou a Áustria, e incorporou os Sudetos, destruindo a Tchecoslováquia. Mas quando avançou sobre a Polônia, os ingleses e franceses reagiram, iniciando-se a Segunda Guerra Mundial.
Hitler na rota da expansão
Logo após o abandono da Liga das Nações (que já se ressentia da ausência dos Estados Unidos e URSS) pelo Japão, foi a vez da Alemanha retirar-se. Anunciando a saída da representação germânica, Hitler
declarou que o não desarmamento das outras nações obrigava a Alemanha
àquela forma de protesto. Embora na realidade ele simplesmente desejasse
furtar-se às peias que a Liga das Nações poderia opor à sua política
militarista, o Führer
teve o cuidado de reiterar os propósitos pacifistas de seu governo.
Aliás, nos anos seguintes, Hitler proclamaria suas intenções
conciliatórias em várias oportunidades, como meio de acobertar objetivos
expansionistas.
O nazismo fortalecia-se rapidamente na Alemanha. Hitler precisava do apoio de Reichswehr
para realizar o rearmamento alemão, mas a maioria dos generais
mantivera-se até então numa atitude de expectativa em relação ao novo
governo. A pretensão da SA,
manifestada por seus chefes em múltiplas ocasiões, de se transformarem
em exército nacional, horrorizava os militares profissionais, educados
na Escola von Seeckt. Parecia-lhes um absurdo entregar aquela pequena, mas eficientíssima máquina, que era Reichswehr, nas mãos dos turbulentos "camisas pardas",
acostumados apenas a combates de rua. Hitler inclinava-se a dar razão
aos generais, o que vinha contra os interesses dos membros da SA mais
radicais. Em alguns círculos da milícia nazista, já se falava na
necessidade de uma segunda revolução que restituísse ao Partido o ímpeto
inicial.
O capitão Ernst Röhm, grande influenciador das tropas de choque nazistas, a SA, passou então a não só se mostrar mais radical ao Führer, mas ainda a incentivar a deposição de Adolf Hitler e fazer então um novo Putsch. Heinrich Himmler, chefe da SS,
que na época era apenas uma subdivisão da SA, entregou a Hitler provas
dos planos elaborados por Röhm - uma tentativa de assassinato a todos os
grandes nomes do partido nazista, que, segundo os próprios planos,
seria conhecido como Noite das facas longas.
Por ordem expressa do Führer, foram realizadas execuções sumárias, realizadas pela SS e pela SD, na noite de 29 para 30 de Junho de 1934. Por ironia, Adolf Hitler deu às execuções o próprio nome idealizado por Röhm, Noite das Facas Longas. Quase todos os líderes da SA, a começar por seu chefe, o capitão Ernst Röhm, foram passados pelas armas, juntamente com alguns políticos oposicionistas e o General von Schleicher
(Kurt, 1882-1934), que era o maior opositor a Hitler no seio da
Reichswehr. Tal decisão provocou a morte de algumas centenas de pessoas,
muitas das quais eram fiéis do Partido, desde longa data.
Com essas execuções, o Führer atingiu um duplo objetivo: extinguiu os
gérmenes da rebelião entre os SA, desde então reduzidos a um papel
meramente decorativo, e deu aos generais uma sangrenta garantia de que
pretendia conservá-los na direção da Reichswehr. O expurgo fora levado a
cabo pela SS,
tropas de elite do Partido, ligadas a Hitler por um juramento especial.
Esse corpo de homens selecionados, formando uma verdadeira guarda do
regime, iniciou naquele dia a ascensão que iria levá-lo, sob a chefia de
Heinrich Himmler, ao controle total da vida alemã, em nome de Hitler. Em 1945, quase um milhão de homens tinha envergado o uniforme negro com a insígnia da caveira, partindo de um núcleo que em 1929 contava com apenas 280 elementos.
A Noite das Facas Longas
fez a Reichswehr cerrar fileiras em torno de Hitler, que, reforçado por
tal sustentáculo, pode então se dedicar a seus planos longamente
acalentados.
A primeira tentativa expansionista do III Reich
fracassou. Desde sua ascensão ao poder, Hitler vinha incentivando o
desenvolvimento de um partido nazista austríaco, como base para uma
posterior anexação da Áustria à Alemanha. Nessa época, os austríacos estavam sob o governo ditatorial do chanceler católico Engelbert Dollfuss, inquebrantável defensor da independência de seu país. Em 27 de julho de 1934, Dollfuss foi assassinado em Viena, por um grupo de nazistas sublevados. Mussolini, temendo que os alemães ocupassem a Áustria, enviou tropas para a fronteira, enquanto a Europa
era sacudida por um frêmito de indignação contra a Alemanha. Hitler,
porém, recuou, negando qualquer conivência com os conspiradores
austríacos. Dollfuss foi sucedido por von Schuschnigg (Kurt Edler, n. 1897), que continuou a política conservadora e nacionalista de seu antecessor.
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