Invasão da União Soviética
Invasão da União
Soviética
Em 22 de junho de 1941, os exércitos do Eixo lançam-se à
conquista do território soviético com a chamada Operação Barbarossa.
Contavam com 180 divisões, entre tropas alemãs, italianas, húngaras, romenas e
finlandesas, num total de mais de três milhões e meio de soldados. A estes se
opunham 320 divisões soviéticas, num total de mais de seis milhões de homens,
porém apenas 160 destas divisões estavam situadas na região de fronteira com a Alemanha Nazi. Grande parte das tropas soviéticas estava na
região leste do país, na fronteira com a China ocupada,
antecipando a possibilidade de mais um ataque japonês contra a União Soviética, conforme
acontecera em março de 1939.
A ofensiva era amplamente esperada, pois a invasão
da União Soviética fazia
parte do discurso nazista desde o surgimento do partido, tendo sido fortemente
pregada por Adolf Hitler em seu livro "Mein Kampf" e em diversos de seus pronunciamentos
políticos anteriores até mesmo ao início da guerra. Relatórios de serviços
secretos davam conta da iminência da invasão, partindo não somente da
espionagem soviética mas também de informações obtidas pelos ingleses e
norte-americanos. A mobilização de grande número de tropas alemãs para a região
de fronteira também foi percebida. Os soviéticos já vinham tomando medidas contra
a invasão desde a década de 1930, aumentando
exponencialmente o contingente de seu exército.
Apesar de tudo isto, a invasão começa a 22 de junho de 1941. Veio como uma surpresa, pois não se
esperava que a Alemanha atacasse a URSS antes que o Reino Unido se retirasse da guerra, conforme se previa. O
resultado disto foi uma enorme vantagem tática para as tropas alemãs nos
primeiros dias da guerra, o que permitiu o envolvimento de grande número de
divisões do exército vermelho e a destruição de grande parte dos aviões
soviéticos ainda nas suas bases, antes mesmo que conseguissem levantar voo.
As tropas do Eixo foram divididas em três grupos de exércitos:
norte, central e sul. O grupo norte atravessou os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) e marchou contra Leningrado, que foi atacada ao mesmo tempo pelos finlandeses,
mais ao norte, numa atitude de revanchismo por parte destes. A cidade foi
completamente c
ercada a 8 de setembro de 1941; a partir de então só foi possível abastecê-la pela rota que atravessava o lago Ladoga,
constantemente vigiada pelos aviões alemães. O resultado foi uma grave
crise de fome, que segundo as estimativas teria vitimado por volta de um
milhão de civis e provocou alguns episódios de canibalismo. A partir de
20 de novembro de 1941, foi possível estabelecer uma rota segura para Leningrado através do lago congelado, devido à recaptura do eixo ferroviário na cidade de Tikhvin,
o que permitiu a evacuação de civis, melhorando a situação da cidade. O
cerco de Leningrado só foi completamente levantado em Janeiro de 1944.
O exército central foi o que progrediu mais rapidamente, tendo conquistado completamente a cidade de Minsk a 29 de junho
de 1941, operação que resultou na captura de 420 mil soldados do
exército vermelho. A ofensiva prosseguiu com o grupo central marchando
através da Bielorrússia até atingir a cidade de Smolensk,
penetrando finalmente no território da Rússia propriamente dita. Aqui o
avanço das tropas alemãs foi interrompido pela primeira vez, dada a
forte resistência oposta pelas tropas soviéticas, porém a cidade foi
conquistada a 16 de julho.
O exército sul prosseguiu mais vagarosamente do que os outros dois, sendo forçado a combater no terreno dos pântanos Pripet, o que reduzia a velocidade dos avanços. Apesar disso, conseguiu empurrar o grupo sul do exército vermelho até a cidade de Kiev, onde seu avanço foi interrompido. Aproveitando-se do fato de que o exército central havia avançado muito mais adiante, os alemães deslocaram boa parte desse segundo grupo de exércitos para
o sul, conseguindo assim envolver um enorme grupo de divisões no que ficou
conhecido como o bolsão de Kiev. O resultado foi a captura de 700 mil soldados
soviéticos, o que resultou praticamente na destruição do grupo sul do exército
vermelho. A luta pela captura da capital da Ucrânia prosseguiu até 26 de setembro.
Após esta operação, o grupo sul do exército
lançou-se à captura da península da Crimeia. Esta operação seria concluída a 30 de outubro, com o cerco da cidade de Sebastopol que, no entanto, só foi capturada em julho de 1942.
A cidade de Odessa, sitiada por tropas romenas desde os primeiros dias da
guerra, só foi tomada em setembro. Após capturar o território da Crimeia, os
alemães voltaram-se para o Cáucaso, chegando a tomar Rostov
a 21 de novembro. Entretanto, a cidade foi retomada pelos
soviéticos poucos dias depois, a 27 de novembro.
As tropas do exército central uniram-se a várias
unidades do grupo norte e iniciaram a operação que tinha por objetivo envolver
a cidade de Moscou, a 30 de setembro de 1941.
Inicialmente as tropas do eixo prosseguiram com velocidade, capturando Bryansk, Orel e Vyazma, numa batalha
em que foram cercados e capturados 650 000 homens, no que seria o último
grande envolvimento em 1941. As tropas alemãs continuaram avançando até capturarem a
cidade de Tula, a 165 quilômetros da capital russa, que passou a sofrer
bombardeamentos aéreos. Entretanto, o avanço do exército alemão foi barrado, e as
pinças norte e sul do ataque não puderam se encontrar, fechando o cerco. Apesar
das gigantescas perdas que o exército vermelho havia sofrido, os soviéticos
conseguiram formar novas divisões de conscritos, trazendo também para a frente
oeste tropas anteriormente localizadas na região leste do país, repondo suas
perdas e conseguindo dar combate aos alemães.
No dia 6 de dezembro, em pleno inverno, começou a contra-ofensiva dos
russos, chefiada pelo general Georgy Zhukov. Utilizando equipamentos novos como os tanques T-34
e os morteiros foguetes Katyusha, o exército vermelho conseguiu retomar uma
quantidade significativa de território, afastando definitivamente a ameaça que
pairava sobre sua capital.
Em 1942, o exército alemão já não se encontrava em
condições de tentar uma nova ofensiva contra Moscou, que também seria
demasiadamente previsível. A Wehrmacht voltou-se então contra a região
do Cáucaso, de grande importância econômica e militar devido a seus recursos
petrolíferos (reservas de petróleo soviéticas no mar Cáspio), industriais e agrícolas. Além disso, a conquista
da região permitiria bloquear o rio Volga. A operação de captura do
Cáucaso foi chamada de operação Azul e teve início em 28 de junho de 1942. No
final do mês de julho os alemães já haviam avançado até a linha do rio Don e começaram os preparativos para o envolvimento da
cidade de Stalingrado, defendida
pelas tropas do General Chuikov. A cidade sofreu pesados
bombardeamentos aéreos.
No fim de agosto, Stalingrado foi cercada ao norte e no 1.º de setembro as
comunicações ao sul também foram interrompidas. A partir de então, as tropas
que combatiam na cidade só puderam ser abastecidas através do rio Volga,
constantemente bombardeado pelos alemães. A batalha durou três meses,
conhecendo avanços e recuos de ambas as partes, com lutas sangrentas pela
conquista de simples casas, prédios ou fábricas. O tipo de terreno resultante
das ruínas da cidade arrasada favorecia o combate de infantaria, impedindo a
utilização eficiente de tanques. Milhares de civis aprisionados no interior da
cidade foram vitimados, principalmente em consequência dos bombardeios. Em
novembro, os alemães haviam alcançado a margem do rio Volga, impedindo o
abastecimento das tropas soviéticas.
Em novembro de 1942,
os soviéticos iniciaram seu contra-ataque, batizado de Operação Urano, que tinha
o objetivo de envolver as divisões alemãs em Stalingrado. Em 19 de novembro, as tropas do general Vatutin, que
formavam a pinça norte do ataque, irromperam contra o flanco dos exércitos do Eixo,
enquanto ao sul as tropas de Konstantin Rokossovsky
faziam o mesmo. Os alemães foram cercados pelo Exército Vermelho e as
tentativas de abastecê-los através de uma ponta aérea não tiveram sucesso. Uma
tentativa de romper o cerco foi feita pelas tropas do General Erich von Manstein, numa
operação chamada de Tempestade de
Inverno, porém as tropas cercadas no interior da cidade já estavam
sem abastecimento há um bom tempo e não tiveram condições de colaborar com as
demais tropas alemãs. Os soviéticos continuavam seu contra-ataque (agora a Operação Saturno),
ameaçando envolver os exércitos de Manstein, que foi forçado a abandonar sua
tentativa de salvamento e retirar-se. A 2 de fevereiro de 1943, os alemães remanescentes na cidade
renderam-se.
Mais de 800 milhares de soldados do eixo, entre
alemães, húngaros, romenos e italianos, além de dois milhões de soviéticos,
morreram nas operações que envolveram Stalingrado e todo o restante do 6.º Exército
alemão, comandado pelo Generalfieldmarschall (Marechal-de-Campo)Friedrich Von Paulus, que
obedeceu até ao fim às ordens de Hitler de não romper o cerco, sendo feito
prisioneiro junto com o seu exército. A batalha de Stalingrado dura cinco
meses. Dos trezentos mil soldados alemães encurralados no cerco, noventa mil
morrem de frio e fome e mais de cem mil são mortos nas três semanas anteriores
à rendição. Devido às rigorosas dificuldades do inverno nesse ano, que
dificultava a subsistência até da população local, um grande número dos
soldados alemães, sem proteção contra o frio nos campos de prisioneiros, não
sobreviveu, sendo que poucos retornaram a sua terra natal após a guerra. Após a
tomada de Stalingrado, as tropas soviéticas continuaram avançando e em
fevereiro de 1943 retomaram Kursk, Kharkov e Rostov, retomando completamente a região
do Cáucaso. A 20 de fevereiro de 1943,
os alemães retomaram Kharkov, formando uma saliência no front soviético em
Kursk, o que teria importantes consequências nos meses seguintes.
Os generais alemães e o próprio Hitler, após a
queda de Stalingrado, tinham noção que esse quadro de desestabilização geral
estava ocorrendo, e começaram a planejar medidas para reduzir seus efeitos.
Muitos oficiais preferiam esperar uma ofensiva soviética e contra-atacar – a
"ação de retaguarda" proposta por Manstein – buscando paralisar os
russos com contra-ataques locais; outros militares defendiam que uma ofensiva
deveria ser desfechada o quanto antes para incapacitar os soviéticos e depois esperar
pelos ataques dos aliados ocidentais. Essa tática acabou sendo a escolhida por
Hitler, resultando na "Operação
Cidadela", cognome do ataque contra a cidade de Kursk, onde estavam concentradas grandes forças russas que
deveriam ser cercadas e destruídas. Foi uma operação perdida desde o início
para os alemães, pois os soviéticos tinham superioridade em artilharia,
tanques, homens e aviões, o que talvez não fizesse tanta diferença se também
não tivessem as informações sobre os planos de ataque alemães – obtidas através
da rede de espiões comunistas Orquestra vermelha na
Alemanha – e contassem com defesas em profundidade largamente preparadas na
região. A culminância dessa malfadada operação foi a Batalha de Kursk, em julho de 1943, onde os alemães sofreram
uma grande derrota e foram recuando até saírem da URSS e as forças soviéticas
avançando em direção à Alemanha.
Embora o significado das batalhas entre Alemanha e
URSS tenha sido enormemente relativizado no mundo capitalista pós-guerra, por
conta de questões ideológicas próprias da Guerra Fria (quando não era mais conveniente ressaltar
qualidades positivas do antigo aliado soviético), o chamado fronte oriental foi
onde aconteceram as mais ferozes batalhas, com as maiores perdas civis e
militares da história, e mostrou excepcionais tenacidade e capacidade de
reorganização e aprendizado do Exército Vermelho frente à
Wehrmacht. Apesar de imensas perdas humanas e materiais, a
URSS foi a única nação da guerra a ser invadida territorialmente pela Werhmacht
(então o maior, melhor treinado, mais bem equipado, e mais eficiente exército
do mundo, cujos vários feitos em eficiência e versatilidade em campo permanecem
inigualados até hoje) a ser capaz de se reorganizar, e, sem rendição ou acordos
colaboracionistas (como o do "Governo de Vichy",
na França), resistir, combater, e efetivamente rechaçar as forças alemãs para
fora de seu território sem tropas externas atuando em seu território (como na
recuperação da França, por exemplo, que precisou da ajuda maciça de tropas
americanas e britânicas), e, mais importante, seguir um curso de vitórias até a
capital da Alemanha - terminando, na prática, a guerra: poucos dias depois do
suicídio de Hitler na Berlim já completamente ocupada pelo Exército
Vermelho, as forças alemãs assinaram sua rendição incondicional.
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