Localização do Sarre no atual território da Alemanha.
Em 13 de janeiro de 1935, o nazismo obteve seu primeiro sucesso
internacional. O Sarre era um antigo território alemão que tivera suas
jazidas exploradas pelos franceses, durante 15 anos, como parte das
reparações de guerra estabelecidas pelo Tratado de Versalhes. Agora, um
plebiscito junto à população decidia, por maioria esmagadora, a
reincorporação do Sarre ao Reich. Logo em seguida, em março, Hitler
abalava a Europa com duas declarações retumbantes: No dia 9, anunciou a
criação da Luftwaffe (Força Aérea) e, no dia 16, o restabelecimento do
serviço militar obrigatório, elevando imediatamente os efetivos de
Wehrmacht
(Força de Defesa, novo nome das forças armadas alemãs), de 100.000 para
500.000 homens. Ambas as declarações foram feitas em sábados, para que
seu impacto internacional fosse amortecido pelos feriados dos
fins-de-semana.
As potências, alarmadas com o rearmamento germânico, decidiram, na
Conferência de Stresa (abril de 1935), formar uma frente antialemã,
condenando o repúdio unilateral de qualquer tratado de fronteiras na
Europa e garantindo a independência da Áustria. Observe-se, porém, que a
declaração de Stresa, subscrita pela Grã-Bretanha, França e Itália ,
não proibia a alteração de fronteiras fora da Europa, não impedindo a
Mussolini a conquista da Etiópia.
Em represália às decisões de Stresa, Hitler denunciou, em 21 de maio de
1935, todas as cláusulas militares do Tratado de Versalhes.
Manifestando, como sempre, seus objetivos pacíficos, o Führer restituía à
Alemanha a liberdade de ação no campo dos armamentos.
O governo inglês, preocupado com um possível desenvolvimento da marinha
de guerra germânica, iniciou negociações secretas com os alemães, sem
qualquer consulta à França. Em 18 de junho de 1935, a Europa soube,
estarrecida, que Londres permitia aos nazistas a construção de uma frota
de alto-mar, equivalente a 1/3 da marinha britânica, com uma proporção
ainda maior de submarinos. Tal acordo equiparava a força naval alemã à
francesa. A notícia provocou em Paris
uma profunda irritação contra os britânicos, que haviam agido em função
de seus interesses exclusivos e abandonado a França, diante de uma
Alemanha cada vez mais poderosa. Ressentidos com os britânicos, os
franceses procuraram então se aproximar da Itália , como um meio de
barrar o caminho à Alemanha. O principal propugnador dessa nova
orientação política da França foi o primeiro-ministro francês Pierre
Laval.
Mussolini aceitou com entusiasmo a mão que a França lhe estendia, o que
vinha servir seus planos imperialistas. O fascismo consolidara-se
internamente, e a população italiana atingira um nível de prosperidade
material até então jamais alcançado. Fiume fora definitivamente
incorporada à Itália, mediante a concordância iugoslava. Satisfaziam-se
assim as reivindicações nacionalistas italianas.
Entretanto, a própria psicologia do fascismo obrigava os dirigentes a
estimularem constantemente o povo, conservando-o sempre excitado, a fim
de manter o prestígio de Mussolini. O Duce
queria evitar que a população italiana se habituasse à rotina,
diminuindo o apoio ruidoso que lhe prestava e que afagava sua volúpia de
poder. Devido a seu temperamento, era um líder que precisava de grandes
gestos e de atos igualmente grandiosos, para alimentar sua enorme
vaidade. Embora houvesse feito uma administração de incontestável valor
na Itália, isso não lhe bastava. Sua concepção histórica impelia-o a
imitar Júlio César, fazendo-o entrar, também, para a galeria dos grandes
homens, sob o tríplice rótulo de administrador, estadista e
conquistador.
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